O lúdico como uma poderosa ferramenta na educação financeira infantil

Artigo publicado no ano de 2017, no site Dinheirama.

Você já parou para brincar um pouco? Aliás…para pensar um pouco nas brincadeiras dos filhos, netos e sobrinhos?

Aposto que você já ouviu falar do “Banco Imobiliário”, um jogo para grupos de 2 a 6 participantes que envolve decisões econômico-financeiras como: compra e venda de propriedades, recebimento e pagamento de aluguéis, impostos, entre outras. Perde quem vai à falência, ganha quem acumula mais dinheiro (soma-se o saldo bancário ao valor dos investimentos e posses).

Muito divertido por sinal! Eu mesma já joguei diversas vezes, mas na minha época o “dinheiro” era de papel: notas de 500 na cor branca, de 100 na cor verde, 50 na cor laranja, amarelo era a cor das notinhas de 10 e rosa as de 5, e as notas de 1 na cor azul. Ainda encontramos essa versão antiga para comprar, mas a nova versão tem uma grande novidade: tem dinheiro… de plástico! O famoso cartão de débito! E com ma-qui-ni-nha! Sentiu vontade de brincar? Eu senti e brinquei, e ainda fui o banqueiro… E claro, fiquei observando o comportamento dos “grandes” jogadores.

Vamos à parte mais importante dessa jogada: pontos positivos e negativos na educação financeira dos pequenos.

Pontos que considero positivos:

  • Enquanto a criança brinca ela vai se familiarizando com alguns conceitos econômico-financeiros como: débito e crédito, previdência, seguros, ações, impostos, aluguel, imóveis, empresas, hipoteca, etc. Você pode transformar a brincadeira em uma oportunidade para dialogar e detalhar mais sobre esses conceitos, exemplificando e explicando como funcionam na vida real.
  • A criança adquiri noções de valor, fazendo observações como: Ah, esse imposto é muito caro! As ações dão um bom retorno! O investimento é baixo, vale a pena adquirir! Esse aluguel é muito barato!
  • Aprimoramento do processo de tomada de decisão, o que considero um dos pontos mais importantes, onde a criança pensa antes de usar o dinheiro, levando em consideração o saldo que possui na conta e a possibilidade de ir à falência, por exemplo.
  • E claro, o jogo ajuda na habilidade com os cálculos: contar os dadinhos, multiplicar o total da soma dos dados pelo valor do título financeiro, e por aí vai…

Quanto aos pontos negativos, não que seja algo de fato negativo, mas pontos a se pensar e discutir em algum momento junto à criançada:

  • O objetivo do jogo é acumular muito dinheiro, mais do que os outros participantes, e então, ser o vencedor. Sabemos que na vida real essa competição pode não ser positiva, assim como atrelar o sentimento de sucesso à ideia de ter muito dinheiro. As pessoas têm motivações e objetivos financeiros diferentes. É possível ter pouco dinheiro e ser muito feliz.
  • No jogo, comprar uma casa é algo muito fácil. Os valores estão bem longe da realidade e isso pode dar uma falsa sensação de que adquirir imóveis seja uma decisão tão fácil como numa brincadeira. A decisão na vida real baseia-se em fatores como o tamanho do imóvel, segurança, localização e valor.
  • Alguns conceitos estão errados ou incompletos, como no caso das ações. No jogo, o participante pode adquirir ações de uma companhia, as quais sempre geram ganhos e ganhos altos. Entretanto, as ações também oferecem risco de perdas financeiras. Como explicar isso aos pequenos? É bom estar preparado antes de embarcar nessa jogada!

E então, já tinha pensado sobre isso?

Agora, imagine se todos nós já nascêssemos com um saldo de 25 mil reais na conta? No jogo funciona assim, os participantes iniciam a rodada com saldos iguais e a partir daí vão adquirindo propriedades… Essa é uma questão que os pais e responsáveis podem discutir e planejar. Uma previdência, por exemplo, é uma opção para juntar dinheiro para os filhos iniciarem a fase adulta, quando irão investir nos estudos e na profissão. Quanto antes iniciar o plano, melhor; tempo e disciplina são fundamentais para o sucesso do planejamento. Aproveite e envolva a criança neste processo, motivando-a em seus sonhos, no consumo consciente e na formação de poupança.

E se você for à falência? Bem, no jogo provavelmente você vai ficar um tanto chateado, vai ficar de fora até a próxima rodada. Algum tempo depois terá de novo os 25 mil reais. E no jogo da vida real? O que você faz quando perde o emprego? Quando entra no cheque especial? Quando perde nos investimentos?

No primeiro semestre de 2016, foram registrados no Brasil mais de mil pedidos de falência por empresas, segundo levantamento da Boa Vista SCPC – Serviço Central de Proteção ao Crédito. No mês de julho, cerca de 11,8 milhões de pessoas estavam desocupadas de acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Como você fala de “perdas” para seus filhos?

Caro leitor e jogador: na vida sempre teremos erros e acertos, perdas e ganhos, assim como num jogo. É importante mostrar essa realidade para as crianças e ensiná-las a encarar os desafios de maneira positiva, aprendendo com os erros, crescendo e sendo mais assertivos em nossas decisões.

Lembrem-se que as decisões financeiras passam pelas crenças e por fortes emoções! Não é só o dinheiro que está em jogo, mas a nossa vida e a nossa felicidade.

Venham papai, vovó e titia! Entrem na próxima rodada e ajudem a criançada a entender mais sobre o mundo real das finanças. Divirtam-se!

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