Educação financeira: seu comportamento é sua definição de riqueza

Artigo publicado no ano de 2017, no site Dinheirama.

Neste artigo, falarei de algo muito importante: vamos relembrar alguns fatores que influenciam nosso comportamento em relação às finanças.

Lembra da barriga da mamãe? Sofremos influências do ambiente que nos cerca desde bebês e respondemos a elas conforme o tipo de estímulos que recebemos e, também, de acordo com nossas próprias características, físicas e psíquicas. Isso nos ajuda a explicar a razão das pessoas reagirem de formas diferentes frente às mesmas situações.

A maneira como os pais lidam com o dinheiro é observada pelos pequenos, registrada em suas mentes e, mais tarde, a chance de apresentarem comportamento semelhante é alta. É bom analisar tudo o que ouvimos, vemos e sentimos, seja na família, na escola, na igreja, com os amigos ou através dos meios de comunicação, pois os valores e conceitos financeiros aprendidos na infância contribuirão, e muito, para o sucesso ou fracasso financeiro futuro.

Quando chegamos à fase adulta temos uma “caixa de ferramentas” com muitas informações. Nesse momento a decisão é sua, é minha, é nossa.

Alguma vez você pensou algo como: “Eu não consigo guardar dinheiro porque meu pai nunca guardou” ou “Eu adoro comprar, sou consumista igual minha mãe”?

Está comprovado que os pais têm forte influência em nossas decisões. Mas, eis a questão: você é feliz agindo assim? Esse comportamento está contribuindo para o seu sucesso financeiro?

Se sim, ótimo. Se não, vamos mudar? Nada muda quando colocamos a culpa em coisas e pessoas. Temos que refletir, detectar o problema e buscar as soluções dentro da “caixa de ferramentas”, e quando necessário podemos buscar ajuda do lado de fora também. Pois nós somos seres inteligentes; podemos mudar hábitos e obter melhores resultados!

A cultura de um país tem forte influência no comportamento de seu povo. No Brasil recebemos a influência de uma cultura consumista e imediatista. Tivemos um longo período de inflação (1950 a 1990), quando era preferível consumir a poupar. Nesta fase as orientações financeiras eram direcionadas para pessoas com renda disponível, preocupadas com o destino de seus investimentos.

Com o Plano Real (1994), estabilizaram-se os preços e a inflação, tivemos significativa melhora nas condições econômicas internas e externas, evolução no mercado de trabalho e expansão do crédito.

O consumo passou a ser peça-chave do crescimento do país e para muitos, símbolo de riqueza e status. Infelizmente, o consumo sem planejamento aumentou o endividamento e o número de inadimplentes, chegando a 50 milhões em 2012, de acordo com o Serasa.

E o que dizer das propagandas de marketing? Cada vez mais envolventes e até apelativas, decidindo por nós o que comemos e vestimos, com um grande objetivo por traz das prateleiras: lucro. Como estamos respondendo a estas influências? Estamos consultando o “caixa” antes de tomar decisões? Meu professor de Administração Financeira dizia: “o Marketing é a alma no negócio, mas o Financeiro é o coração”. Precisamos bombear o sangue de maneira sistemática para que todo o corpo o receba e fique saudável.

E ainda temos de lutar contra a falta de transparência das instituições… Você sabe exatamente os impostos que paga em cima de cada bem que consome? A taxa que seu banco cobra para manutenção da conta?

O consumismo e o imediatismo têm marcado presença no nosso comportamento, além de uma dose exagerada de confiança no Estado. Até quando confiaremos em programas sociais para sanar nossas dificuldades financeiras? 

Por fim, quero citar um último fator: motivação.

Você quer dinheiro para quê?

Assim como as empresas, é importante definirmos Missão e Visão em nossas vidas. Esse será o Norte e ao longo do caminho ficará mais fácil dizer NÃO às influências negativas que te afastam do sucesso financeiro.

Fico feliz em perceber a Educação Financeira ganhando espaço no nosso país. Muitos brasileiros estão buscando por ajuda e encontrando no processo de planejamento financeiro o equilíbrio e sucesso almejados. Vamos falar mais sobre dinheiro com nossos familiares, apoiar projetos nas escolas, participar de eventos, ler sobre o assunto, refletir e debater.

A prática da Educação Financeira é fundamental para moldarmos um novo ambiente, uma nova cultura: mais equilibrada e saudável financeiramente, com disciplina e visão de longo prazo. Uma cultura que nos influencie positivamente, que nos apoie na racionalização do consumo, na otimização dos investimentos e na valorização de práticas sustentáveis!

Consulte sua “caixa de ferramentas”, talvez esteja na hora de jogar algo fora.

É sua a decisão final!

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